
A palestra de Nichi Kashihara começou com uma introdução sobre o seu trabalho que está sempre envolvido de alguma forma com a divulgação da moda japonesa no exterior, seja através de sua loja em New York, Madame Killer, seja em suas viagens à diferentes países ministrando sobre o assunto.
Para um entendimento do que acontece hoje, ele ilustra o contexto histórico partindo dos anos 80, época que se tem início o street style como conhecemos hoje, e dá continuidade explicando resumidamente a situação econômica do Japão, a mudança do perfil de quem consumia moda (antes liderada pelas "OL" ou "office ladys" e depois passada para meninas mais jovens, as colegiais), até chegar nos estilos que conhecemos hoje. Os seguintes foram mencionados: gyaru (gyaruo, yamamba, kogyaru, onee gyaru), lolita (sweet, gothic, classical, wa, punk), mori-kei e aomoji-kei.

A ênfase da palestra, apesar de ainda sucinta, foi nos mais populares: gyaru e lolita - enriquecida pela nossa embaixadora kawaii Akemi Matsuda, que forneceu uma entrevista para esclarecimentos sobre a cena no Brasil. Falou das dificuldades que enfrentamos por ser um país tropical, os preços altos de importar roupas de marca japonesa (acho que ela assustou muita gente dizendo que vestidos poderiam custar US$1000 haha), as alternativas para isso, os meetings que precisam de lugares muito específicos... Mas que mesmo assim cada vez mais ela vê que a quantidade de pessoas interessadas cresce, e que pôde constatar nas viagens que fez por todo o país que devem haver cerca de 5000 lolitas (e simpatizantes? :x - minhas palavras essas) hoje.
Um dos termos apresentados mais interessantes para mim foi o "dokumo" ou leitores-modelo, que é uma grande peculiaridade da moda japonesa (porém não uma novidade, tem um episódio inteiro do kawaii international a respeito). São aquelas pessoas que conquistam fama saindo nos street snaps ou pelos seus blogs, e acabam virando modelos para aquela revista que antes eram apenas leitores (ex. Misako Aoki, Tsubasa e Kyary). Ele fala da importância desses profissionais para as revistas e que representa uma forte tendência, já que eles conhecem de forma mais íntima o público-alvo, seus gostos e hábitos. Muitas vezes esses modelos tem uma liberdade maior de publicar o seu estilo particular: é um estreitamento bem mais óbvio entre o street fashion e a moda que a mídia oferece.

Acredito que tenha sido uma aula sobre moda urbana japonesa válida para aqueles que não estão familiarizados, que é, afinal, a maioria no Brasil. Mas ao mesmo tempo, sinto que em uma rara oportunidade onde temos um palestrante do Japão, seria mais enaltecedor uma abordagem mais sociológica, psicológica ou pelo menos que demonstrasse a a perspectiva pessoal de alguém que morou e cresceu naquela cultura, testemunha das relações diárias que eles tem com a moda, seus reflexos nos outros países... em oposição a repetir a mesma ponta do iceberg que podemos ver na internet. Não presenciei a primeira palestra do Tokyo Fashion Festa em 2011 (vi apenas o desfile no Festival do Japão), logo não tenho como comparar as duas, mas pelo que li as duas tiveram diferenças mínimas, até mesmo na seleção das fotos... Para o público que foi apresentado, em uma faculdade de MODA, gostaria que tivessem dado a ele (ou que o próprio tivesse se permitido) a liberdade de dar um passo à frente.
Kashihara parecia estar surpreso de ver que boa parte das pessoas presentes já conheciam os termos e sabiam quem era Namie Amuro, o que só confirma o que ele próprio está defendendo. Imagino que cada vez mais esteja ficando claro que a moda japonesa não é mais um elemento à parte do mundo, ela está influente em todos os lugares e pode estar maior do que podemos estar nos dando conta: os indícios dessa palestra levam a crer que Misako Aoki estava certa em dizer que o maior potencial de crescimento de lolita está no exterior, e que isso vale também para outros estilos que, mesmo que percam sua força no país de origem, poderão ser acolhidos com grande entusiasmo por outros.
Kashihara parecia estar surpreso de ver que boa parte das pessoas presentes já conheciam os termos e sabiam quem era Namie Amuro, o que só confirma o que ele próprio está defendendo. Imagino que cada vez mais esteja ficando claro que a moda japonesa não é mais um elemento à parte do mundo, ela está influente em todos os lugares e pode estar maior do que podemos estar nos dando conta: os indícios dessa palestra levam a crer que Misako Aoki estava certa em dizer que o maior potencial de crescimento de lolita está no exterior, e que isso vale também para outros estilos que, mesmo que percam sua força no país de origem, poderão ser acolhidos com grande entusiasmo por outros.
Lost in translation - Alguns termos específicos sempre acabam dando aquela escapulida na tradução simultânea (portanto literal), por isso inferi que por "lolitas naturais" ele estivesse se referindo ao classical lolita, por "estilo fancy" (o da kyary) ao aomoji-kei e por "mori gyaru" ao mori girl/mori-kei, e não à vertente de gyaru. Mesmo que eu não tenha certeza se os nomes que os japoneses usam para classificação são os mesmos que os da internet, espero que isso não tenha causado muita confusão nas pessoas que não conheciam os estilos.